O modernismo literário brasileiro

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Em fevereiro de 1922 aconteceu um evento em São Paulo que revolucionou a Arte e a literatura brasileira. A semana de Arte Moderna foi o marco inicial que rompeu com os padrões artísticos até então conhecidos (europetizados) e trouxe a valorização da cultura, linguagem, expressões e do cotidiano brasileiro.
Os principais artistas modernistas dessa época foram: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia e Manuel Bandeira. Essa importante festividade causou um grande alvoroço tanto por parte da imprensa,quando pela população, afinal, estava sendo exposta uma nova concepção de arte e literatura.
Eram diversas propostas de inovação na literatura, entre elas o rompimento com o passadismo e academismo, negação da gramática normativa e da estrutura sintática, e os versos passaram a ser livres. Houve uma ruptura com as normas fixas, exceto nos sonetos. A valorização do cotidiano brasileiro se tornou uma crítica social frente às elites, na qual também se utilizava humor, sarcasmo e muito nacionalismo.


Nos poemas abaixo é possível notar essas características:


Texto II
As meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
(Oswald de Andrade)


Nesse poema é notória a presença da linguagem simples, mas também a preservação da formal (Com cabelos mui pretos pelas espáduas), versos livres (Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis), a valorização da mulher e do cotidiano da cultura brasileira(Que de nós as muito bem olharmos Não tínhamos nenhuma vergonha). O rompimento com o academismo.Negação da gramática formativa de maneira estruturada.


Texto III
Risco
Um poema livre
da gramática, do som
das palavras
Livre de traços
Um poema irmão
de outros poemas
que bebem a correnteza
e brilham
pedras ao sol
Um poema
sem o gosto
de minha boca
livre da marca
de dentes em seu dorso
Um poema nascido
nas esquinas nos muros
com palavras pobres
com palavras podres
e, que de tão livre,
rasga em si a decisão
de ser escrito ou não
(Oswald de Andrade)


Esses novos modelos de escritas caracterizaram nossa identidade nacional e possibilitaram que os artistas se coligassem com as mesmas convicções ideológicas.
Este poema de Oswald de Andrade rompe com as formas fixas da gramática, os versos são livres e sem rimas (Um poema livre da gramática, do som das palavras). Há também certo sarcasmo quando diz que havia uma decisão de ser escrito ou não, de tão simples e inovador que era.
O poema por si demonstra a intenção do autor em evidenciar que para compor um poema não era necessário seguir padrões de gramática normativa e estrutura sintática. (Livre de traços)
A ideia não era negar as atribuições outrora herdadas do classicismo burguês(Um poema irmão de outros poemas), mas sim de uma construção literária que retratasse e valorizasse a cultura, demonstrasse as expressões, emoções, cores e todos os elementos que compunham com o dia a dia dos brasileiros nesse período. (Um poema nascido nas esquinas nos muros com
palavras pobres com palavras podres).
Esses autores modernistas foram grandes protagonistas da história. Na medida em escreviam esses poemas e relatavam os fatos dessa época, faziam várias críticas sociais. Suas escritas são consideradas além de poemas literários, documentos históricos constatam a história Brasil.

Misleine Neris- Licenciada em História e Especialista em História Cultural.

Referências:

Camilo, Silvana. Literatura brasileira II / Silvana Camilo — Umuarama: Unipar, 2016. 141 f.ISBN: 978-85-8498-128- 1.Literatura Brasileira. 2. Ensino a distância – EAD. I.Universidade Paranaense. II. Título.(21 ed.) CDD: B869.09

Crianças crescem sem o pai em Portugal

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O número de crianças sem o nome do pai nos documentos está a crescer em Portugal. Essa estatística já é a maior desde 1974. Pesquisas confirmam que desde 2013 esses números estão a aumentar. Todos os dias 4 bebés são registados sem o nome do pai no país.

O fato tem aumentado devido a relações ocasionais, onde os parceiros sexuais não voltam a ter contato, relações homossexuais, normalmente casais de lésbicas que sonham em ser mãe e recorrem à inseminação artificial e também do não reconhecimento por falta de responsabilidade paternal.

Na lei portuguesa não há nada que interrompa esse desfecho, entretanto, desde 1977 sempre que isso ocorre o Ministério Público (MP) instaura um processo de averiguação oficiosa, no entanto, muitos processos acabam por serem arquivados. Quando não, a criança precisa submeter-se a um teste de ADN, e só assim tem o nome do pai nos seus documentos.

Entre 2012 e 2016, cerca de 2450 bebés foram registados sem o nome do pai. A maior parte dessas crianças é de Lisboa, somando 1037 registos, seguida do Porto com 289, Setúbal 250, Santarém com 119 e Aveiro com 94. Em relação às ilhas, os Açores lidera esse ranking com 21 bebés até 2016.

Estudos apontam que esses dados são mais alarmantes entre as classes menos favorecidas e quando há uma gravidez precoce. Esses casos também acontecem quando uma mulher bem sucedida não faz questão de fornecer o nome do pai, ou quando procuraram uma gravidez independente por meio de doação de sémen. Outro caso são as que mantem relações com parceiras do mesmo sexo, mas todas estas mulheres só representam 15% dessa estatística.  

É lamentável que uma criança não tenha o direito de saber quem é o seu pai e ter nome dele no teu registo, mesmo que uma criança venha ao mundo por via de uma relação casual ou de um relacionamento extraconjugal.

Mas afinal, é permitido ou não o registo de “filhos de pais incógnitos” ?  Desde 1997 quando o Código Civil foi modificado, acabou com as diferenças entre filhos legítimos e ilegítimos e essa expressão foi finalmente retirada de todos os documentos de identidade.

Atualmente, quando uma criança nasce e é registada apenas com o nome da mãe, e ela não tenha sido concebida por doador de esperma ou por um casal de lésbica, é obrigação de o Ministério público abrir uma investigação e considerar um exame de ADN para a comprovação da paternidade.

Depois de um tempo o individuo é convocado para interrogatórios e prestar esclarecimentos. É pena que em Portugal ainda não exista uma lei que obrigue esses pais irresponsáveis a participarem financeiramente das vidas dessas crianças, já que o encargo maior sempre acaba por ficar com as mulheres e a família das mesmas.  

Ainda há uma estrutura social que sobrecarrega e obriga as mulheres a arcarem com a maior parte das responsabilidades com as crianças, tanto na educação quando nos custos. Infelizmente isto é resultante de uma sociedade pouco desenvolvida socialmente e desigual quando a questão ainda é o gênero.

Esse artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova ANO XLIX ed: N.º 1116.  05 de  Setembro de 2020. pg : 2.

Jovens desempregados em Portugal

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Apesar das estatísticas apontarem que no mês de março de 2019 o índice de desemprego ter caído em Portugal para 6,5% e ter ficado acima da média dos outros países da União Europeia o desemprego entre os jovens ainda é um fantasma chato que continua alarmar. O país ocupa o sexto lugar no ranking dos países da zona do euro com a taxa de desemprego jovem a beira dos 16,5%.

Normalmente as mulheres são as mais afetadas com essa falta de oportunidade. Entre os jovens no geral, os que possuem mais qualificação estão cada vez mais atrelados ao desemprego. Segundo o estudo do INE jovens entre os entre os 15 e os 24 anos ocupam os 20% dessa estatística. Entre 2011 e 2015 o desemprego nessa faixa etária ficou acima dos 30% e  em 2013 esse numero chegou aos 38,1%.

Dados também informam que o jovem português é o que mais se oferece a trabalhos voluntários em áreas sociais fora do país. Normalmente são pessoas escolarizadas e preocupadas com questões sociais e do meio ambiente. Em 2019 foram 2. 500 pessoas que devido à dificuldade de encontrar um emprego no país, vão procurar fora.

Os países da União Europeia com o menor índice de desemprego  foram a Republica Checa com apenas 2,0% seguido da Alemanha e Holanda com 3,2%. Já os países com os maiores índices foram a Grécia com 16,6% e a Espanha com 13,7%.

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Os adolescentes até os 18 anos em Portugal são que se encontram mais vulneráveis. Segundo fontes estatísticas 22,4% destes estão em risco de pobreza. O relatório da Cáritas Europa do ano de 2018 apontou que Portugal ainda não foi capaz de combater o ciclo de pobreza entre esses jovens nos quesitos de educação, habitação e trabalho.

Portugal ocupa o sétimo lugar entre os países da Europa quando nos referimos à emancipação dos filhos em relação aos pais. Os filhos portugueses saem cada vez mais tarde da casa dos pais e consequentemente demoram mais para terem filhos e ou construir uma família. Tudo indica que esses fatos são devido à falta de autonomia financeira da nova geração portuguesa.

Resta-nos torcer para que a taxa de desemprego jovem não venha mais aumentar agora em 2020, já que em Dezembro de 2019 foram registrados 19,3%, o que faz que o país fique acima da média da zona euro que é de 15,3% e da UE de 14,1%.

No geral quando citamos a taxa de desemprego da população ativa de Portugal o país está na média da União Europeia com 6,5 % até março de 2019. Em Dezembro de 2019 alcançamos o valor de desemprego mais baixo desde 2008.

 

Esse artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova ANO XLIX ed: N.º 1114.  05 de  Agosto de 2020. pg : 2.

Energia eólica, uma alternativa sustentável

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A energia eólica é utilizada como uma forma de produzir energia elétrica de maneira sustentável. Esse tipo de produção de energia é a melhor alternativa da atualidade, pois além de sustentável ela é renovável.

Essa energia é produzida através dos aerogeradores, que por via de suas hélices em forma de cata-vento e através dos movimentos circulares, produzem energia elétrica. Esse tipo de tecnologia pode ser instalada em terra ou na água. Pelo fato de ser renovável, não polui o meio ambiente e não emite os gases que agravam o efeito estufa.

Desde 2011, a União Europeia representa no mundo quase 6,5% do consumo de energia elétrica. Com investimento e aumento da produção da energia eólica, daqui uns anos podemos ter energia elétrica por um preço muito mais acessível.

Portugal tem cumprido o seu papel na ultima década no investimento da produção desse tipo de energia. Mas, o primeiro lugar, ainda está com a Dinamarca, seguido da Lituânia e da Irlanda.

O vento está entre os quatros maiores recursos de eletricidade mais utilizados na União Europeia. As Redes Energéticas Nacionais notificaram que 61% da energia consumida no país é de produção eólica. A R.E.N., destaca também que Portugal exporta 13% da sua produção para a vizinha Espanha.

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Tendo em vista que em Portugal há sempre bons ventos, este é um recurso que merece um investimento e também uma monitoração periódica. A validade dos aerogeradores é em média de 20 anos e, se avaliarmos que em 2023 72% dos parques eólicos terão 15 anos de funcionamento, em 2028 esses números somarão 95%. É necessário delinear um alerta para a renovação dos mesmos.

Em contrapartida, alguns estudos demonstram que a energia eólica não é uma fonte de energia segura, pois não são todos os países que possuem bons ventos o ano todo. O Brasil, por exemplo, teria energia como esta disponível somente numa parte do ano.

Alguns ambientalistas alegam que os parques eólicos causam poluição visual que altera a paisagem original do ambiente. Segundo estes, a poluição sonora incide no sentido de que os ventos podem interferir no habitat natural dos pássaros.

Devido à maior desvantagem desse tipo de energia ser a volubilidade dos ventos, a energia eólica fica sempre como uma segunda opção para a geração de energia, e mantida assim como uma fonte complementar. Entretanto, seus impactos são altamente renováveis e com danos ambientais muitos baixos que devem ser levados em conta para o desenvolvimento de um país assim como para a geração e modificação do sistema de energia elétrica.

Esse artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova ANO XLIX ed: N.º 1103.  20 de  Fevereiro de 2020. pg : 3.

Ubers ganham a corrida contra os Taxistas

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Uber é uma aplicação de telemóvel que tem ganhado muito espaço em Portugal. É uma alternativa mais barata para quem deseja deslocar-se com comodidade, através de apenas um “click”.

A Uber existe em Portugal desde 2014 e as cidades que mais aderiram a esse tipo de transporte alternativo foram as capitais Lisboa e Porto, seguido do Algarve e Braga. Agora tem vindo a espalhar-se por todo o país, até mesmo em algumas regiões consideradas aldeias. É notável que em Portugal ainda haja deficiência na mobilidade pública e essa aplicação serve como uma medida complementar às que já existem.

A aplicação é gratuita, basta apenas ter um smartphone com acesso à internet. Depois de instalada ela acede à localização do telefone onde é possível ter acesso ao GPS de ambos os utilizadores (motorista e passageiro). O utilizador confirma a sua localização e o local desejado e de imediato a aplicação calcula o valor da corrida e informa em quanto tempo e quilómetros que o motorista está do local da chamada do veículo, e quanto tempo demorará a chegar. Ao chamar a viatura, é possível ter acesso ao nome, foto do condutor, a matrícula e o modelo do veículo.

Por motivos de segurança também é possível partilhar o seu itinerário com amigos e parentes e eles conseguirem ver em tempo real a viagem. As opções de pagamentos também são muito flexíveis, podendo ser através do débito automático na conta bancária, o que torna a viagem ainda mais segura, ou por dinheiro. No final de todo o trajeto, o passageiro recebe por e-mail todos os detalhes do mesmo e uma proposta para avaliar o motorista.

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Nas grandes cidades esse modelo de transporte conquistou espaço principalmente entre os jovens pela segurança para os que desejam desfrutar da noite e não voltar a conduzindo embriagados, já que muitas metrópoles não oferecem transportes 24 horas.  O preço costuma ser muito mais acessível do que um taxi convencional, em alguns casos, o valor chega a ser até a 50% mais barato.

Nos EUA diversos taxistas não conseguiram manter os seus empregos após a chegada dos transportes por aplicação. Em algumas regiões e em alguns países, os Ubers foram vetados. Além do transporte de passageiros, agora as pessoas podem ter a comodidade de pedir refeições através o UberEats.

Diversos sindicatos de taxistas afirmaram que a empresa Uber estaria  contra a legislação, tendo em vista que os taxistas pagam os licenciamentos e impostos para circular, enquanto o motorista do Uber, só é exigido boas condições do carro e um tempo específico da carteira de motorista do condutor. Esses fatores geraram muitos protestos por parte dos taxistas e confrontos com os condutores de Ubers que tiveram os seus carros apedrejados.

Em contrapartida é um setor que tem gerado empregos em uma escala exorbitante em todo mundo. Alguns motoristas tem o Uber como a sua principal fonte de renda, outros utilizam como uma complementação. Em países que enfrentam crises económicas a aplicação surgiu como uma forma de safar-se do desemprego.

Segundo utilizadores essa aplicação veio para dinamizar o transporte público e expandir a mobilidade urbana. Esse tipo de alternativa ameniza o congestionamento do trânsito nas grandes cidades e contribui para a redução da emissão de gases poluentes, além de melhorar os meios de transportes nas zonas mais afastadas consideradas rurais, que por vezes, ficam esquecidas pelas Câmaras Municipais que não têm o interesse de contribuir para a mutabilidade urbana e mantêm assim o monopólio do transporte, isso quando há transportes públicos.

 

Esse artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova ANO XLIX ed: N.º 1103.  20 de  janeiro de 2020. pg : 3.

Direitos humanos, quais são? Para quem são? Para que servem?

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Direitos humanos são princípios básicos que todo ser humano precisa para viver com dignidade. Dentre estes direitos estão presentes os caráteres cívicos e políticos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas  declarou que “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.”

Em 10 de dezembro de 1948, a Assembleia Geral da ONU universalizou os direitos humanos. Dois anos depois, em 1950 da mesma data, a Organização das Nações Unidas declarou o dia 10 de dezembro como o dia dos Direitos Humanos.

A filosofia alega que os direitos humanos consistem nos direitos naturais de qualquer pessoa. Em 1979 o Instituto Internacional de Direitos Humanos, Karel Vasak , considerou que os direitos humanos são inspiração da Revolução Francesa, por constituir do lema: liberdade, igualdade e fraternidade.

Os direitos de liberdade estariam inclusos nos direitos civis e políticos e de uma pessoa. Os de igualdade seriam os direitos aos acessos econômicos, sociais e culturais. A fraternidade se compara aos direitos ambientais, de qualidade de vida e do direito a uma vida saudável e em paz.

Devido ao avanço da tecnologia, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), incluiu os direitos tecnológicos como a quarta geração de direitos indispensáveis para uma pessoa, uma vez que eles promovem o acesso à informação e a todos estes direitos citados.

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Em Portugal os números assinalam que ainda há muita desigualdade no acesso à habitação, infelizmente as pessoas que precisam de refúgios internacionais, afrodescendentes e ciganos estão dentro dessa “bandeja” É abissal o preconceito e a discriminação com as pessoas que vivem em condições mais pobres.

Também houve muitas ocorrências de maus-tratos, racismo e preconceito a pessoas reclusas e abuso de autoridades. Do mesmo modo, não ficaram de fora os crimes praticados contra as mulheres cometidos por homens, como: abuso, violação sexual e feminicidio. Todos esses fatores difundem a carência dos direitos humanos.

A importância dos direitos humanos é garantir que todos os cidadãos tenham direitos iguais perante a lei e que todos sejam livres para expressar-se. Além de promover e estabelecer a paz mundial, é essencial que esses direitos sejam garantidos para que não ocorra nenhuma opressão ou soberania de poder. Assegurar que direitos humanos serão preservados, também é apoiar relações pacificas entre todos os países.

Favorecer os direitos humanos é sustentar a ideia de que todo ser humano merece dignidade para viver e que será julgado perante uma justiça imparcial e humana. É incentivar que homens e mulheres independente de suas afetividades, religiões ou raça, tenham os mesmos direitos e liberdade mediante a uma sociedade no âmbito geral.

Esse artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova ANO XLIX ed: N.º 1100. 5 de  dezembro de 2019. pg : 4.

Feminicídio em Portugal, precisamos curar esse mal.

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Feminicídio é o nome que se refere a um crime associado ao gênero feminino, esse nome também é utilizado para designar os assassinatos de mulheres. A primeira pessoa a usar esse termo foi a feminista Diana E. H. Russell, que definiu a palavra como “a matança de mulheres por homens, porque elas são mulheres”.

Esses crimes podem ser caracterizados como crimes de gênero, porque normalmente eles acontecem com as mulheres, em situações de privacidade e por pessoas conhecidas. Frequentemente, eles são cometidos por seus ex e companheiros, pai, algum familiar ou um homem no qual foi estabelecida uma relação de poder. Em 2018, dados afirmaram que as armas mais utilizadas nesses delitos são armas brancas ou agressões físicas até a morte.

No contexto social, essas situações não ocorrem esporadicamente, é possível afirmar que na conjuntura socioeconómica ainda há a manutenção do sistema patriarcal e das desigualdades de gêneros. Em média, a faixa etária das mulheres vítimas dessa violência é de 36 a 50 anos.

Neste início do ano de 2019 foram escandalosos os dados criminais que envolveram feminicídio em Portugal. Esses números ultrapassavam países de dimensões muito maiores e considerados muito mais violentos. Entre as 87 mil mulheres mortas em 2017, 58% morreram vítimas dos vossos maridos, namorados ou familiar. Sendo ainda 20 mil na Ásia, 19 mil em África, 8 mil nas Américas (Norte e Sul) 3 mil na Europa e 300 na Oceania.

A maior parte das mortes de mulheres em Portugal ocorreu a seguir a uma violência doméstica. Sendo 92% dessas mulheres mortas por via de uma arma branca. E 42% são mães que deixaram em média  29 mil crianças órfãs. Outra estatística triste e muito preocupante para o país.

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Existem quatro distinções de feminicídio, uma delas é o feminicídio íntimo; cometido por parceiros sexuais (maridos, namorados ou amantes) de relações anteriores ou atuais, o não íntimo que se estabelece na convivência, de hierarquia, de amizade ou de empregador para empregado, o transfeminicídio que é impulsionado por ódio e transfobia. E, por fim, o feminicídio por conexão, que infelizmente ocorre porque a vitima tinha vinculo social com a mulher que  se relacionava com o assassino.

Ao todo já somam 24 mulheres vítimas de feminicídio em Portugal desde o início do ano, uma estatística muito alarmante se compararmos com o ano passado, onde houve meses que não tiveram ocorrências. Leria é a cidade com mais ocorrência este ano, com 6 casos registrados, depois Setúbal com 4 e Lisboa com 3. É importante lembrar que em grande parte dos casos foram realizadas as prisões preventivas dos agressores.

Esses crimes de gênero acontecem porque existem outros problemas muito mais densos do que se apresentam. Nunca conseguiremos combater efetivamente esses casos se não diminuirmos as desigualdades de direitos sociais entre homens e mulheres.

É preciso enfatizar a necessidade de desconstruir o sentimento de posse e dominação pela mulher que ainda está impregnado em boa parte dos homens, inclusive nos que cometem esses crimes. Uma sociedade moderna precisa colaborar para a redução das desigualdades de gênero. Para que esses números sejam reduzidos, é cogente diagnosticar como e por que eles surgem, e a partir desse diagnóstico, remediar.

Esse artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova ANO XLIX ed: N.º 1098. 5 de  novembro de 2019. pg : 4.

O Santo Graal está em Portugal

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Apesar de ser uma expressão que se popularizou na era Medieval o “ Santo Graal” existe desde os tempos dos Celtas. Eles acreditavam que havia um objeto muito semelhante a um caldeirão, que trazia a vida a uma pessoa caso ela fosse posta dentro dele. A primeira menção desse artefato na Idade Média apareceu em um poema do Rei Arthur, onde os seus cavaleiros estavam à procura de um objeto muito valioso que segundo eles, proporcionava novos sabores aos alimentos.

Quando a lenda ficou popular na Idade Média, ela foi cristianizada e deu-se ao objeto uma nova forma: a de um cálice. Diz a lenda que este teria sido utilizado por Jesus Cristo na ultima ceia. Posteriormente na literatura, José de Arimateia teria colhido o sangue de Cristo na cruz com esse mesmo cálice. Atualmente a busca por este objeto leva a crer que nele estão guardados os genes de Cristo, que proporcionará saber a sua descendência, que até hoje é desconhecida.

Há outras versões desta lenda, uma que diz que Maria Madalena teria ficado com esse cálice e levado para a França, local onde ficou o resto de sua vida. Outra relata que o Santo Graal foi levado até à Catedral de Valência em Espanha, e também se supõe que esteja em Inglaterra, pois, segundo a literatura, foi José de Arimateia que teria ficado com ele assim que colheu o sangue na cruz.

Outra história afirma que o Santo Graal ficou sob a custódia da “Ordem dos Templários”. Esta ordem religiosa e militar era composta por nove cavaleiros e foi fundada em 1.118 na cidade de Jerusalém. Eles tinham como propósito proteger os peregrinos durante as cruzadas.

Segundo a lenda, esses cavaleiros de fé teriam ficado hospedados no Templo de Salomão durante um tempo, e nesse percurso tiveram acesso a diversos segredos e documentos do mundo e das religiões. Essas informações eram muito valiosas e fizeram com que os tornassem muito sábios e poderosos.

Algumas fontes da história de Portugal dizem que os Templários estiveram em nosso país e ficaram instalados no Convento de Cristo em Tomar, assim que eles evadiram da Terra Santa. A história descreve que São Bernardo de Claraval recolheu o objeto do Templo de Salomão e o trouxe para cá.

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The Damsel of the Sanct Grael por Dante Gabriel Rossetti

Durante o século XIV D. Dinis apoiou a fundação da Ordem de Cristo no Convento de Tomar. Esta por sua vez, auxiliou as descobertas dos continentes no século XV, auxiliou, apoiou e forneceu proteção à igreja. Ainda hoje, é notável a ligação entre o governo com essa ordem, uma vez que a bandeira de Portugal ainda carrega como brasão a cruz dos Templários.

Diversos estudiosos levam em consideração a hipótese de que o Santo Graal possa estar em Portugal, já que os Templários foram os guardiões dele e permaneceram cá durante vários anos. Atualmente a Igreja Católica não reconhece o Santo Graal como algo sagrado e sim apenas como algo criado na literatura medieval, que por sua vez é carregado de lendas, algumas curiosidades e múltiplos personagens reais e fictícias.

Embora a ficção se confunda com a realidade, é relevante salientar que o Santo Graal ainda é algo simbólico e intrigante para muitas pessoas. Não podemos descartar a hipótese de que esse objeto simbólico e para alguns “sagrado”, possa estar cá e quem sabe Portugal possa ser o Porto do Graal ?!

Esse artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova ANO XLIX ed: N.º 1097. 20 de outubro de 2019. pg : 3.

Violência doméstica em Portugal

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Muito se ouve falar sobre esse tema, mas poucas pessoas sabem do que realmente se trata. Segundo a justiça portuguesa a violência doméstica é tudo o que se encaixa em atos de sofrimentos físicos, sexuais, económicos ou psicológicos. Eles acontecem normalmente com pessoas que moram sob o mesmo teto, sendo estas; parentes de qualquer grau, parceiros ou ex- parceiros íntimos.

Esse tema veio à tona oficialmente a partir da década de 1980, quando foram denunciados através dos pediatras os maus tratos às crianças e adolescentes.  Por O.N.G’s, foram também denunciadas as violências contra as mulheres sofrida pelos homens, e posteriormente por civis a crueldade contra os idosos.

A violência causada nas crianças e nos adolescentes ocorre não somente quando é cometida uma agressão física ou psicológica. Também é considerado agressão quando eles vivenciam momentos violentos entre seus familiares, sejam eles; pai, mãe, tios, entre outros. O maior índice de violência física e mental é na maior parte dos casos ocasionada pelo familiar tutor da criança, sendo a mãe a mais violenta.

A principal legitimação para esse tipo de violência em diversos ensejos está associada à crença religiosa e ao conceito de que a famosa “palmada educa” ou à “tradição” “eu apanhei e fui bem educado” levando à consideração de que o castigo também é uma maneira de corrigir os filhos.  O que assusta nesses índices é que esses menores estão sujeitos a esses tipos de episódios quando os infratores estão sob o efeito de álcool ou outras substancias tóxicas.

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Já as violências padecidas pelos idosos demoraram muito mais para vir à tona em Portugal do que as outras, assim como as das crianças que também ocorrem no âmbito familiar e são difíceis de serem detectadas. Embora esses tipos de agressões sejam menos frequentes, em 2014 as pesquisas acusaram que quase metade das pessoas que agridem os idosos são os próprios cônjuges, indicando a percentagem de 49%. Os filhos homens 30% e as mulheres a somarem 8,9%. Outros parentes também participam desta estatística, os genros e as noras somam 3%, netos 2,3% e netas 0,2% e os demais familiares 5%.

Chega a ser triste ter acesso a esses números, pois, sabemos que eles podem ser muito maiores, tendo em vista que diversos idosos não têm coragem ou condições para denunciar, devido à sua dependência mediante ao seu familiar, ou vice e versa.  Normalmente o familiar que agride o idoso depende financeiramente dele ou da sua casa para morar.

Outro tipo de violência doméstica que tem chamado à atenção em Portugal é a VPI (violência entre parceiros íntimos). Esta acontece em relações heterossexuais e homossexuais, ou quando há algum tipo de intimidade entre os envolvidos.

Apesar dos dados alarmantes, ainda não é possível saber o numero exato das pessoas vitimas desse tipo de abuso. Muitas pessoas ainda ignoram esse tipo de violência e as consequências que ela acarreta. O que pode se afirmar com precisão é que as mulheres estão mais sujeitas a sofrerem as agressões de seus parceiros, logo, esse tipo de agressão chamou atenção para a disparidade da igualdade de género.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vitima (APAV) afirmou em 2016 que mais de metade das vitimas de VPI são provocadas por ex-parceiros e parceiros das mulheres. Um estudo da Universidade do Minho comprovou que apenas 10% dos homens e 23% das mulheres agredidas denunciam os casos, e que pouquíssimas pessoas procuram a ajuda das associações ou da Policia.

Os homens são os que menos denunciam a violência doméstica, por não acreditarem que as autoridades possam ser úteis. Já as mulheres acham que o descaso a estes casos são apavorantes e que não há punição alguma para o agressor. Algumas mulheres por causa da crença e da religiosidade, acabam por perdoar seus parceiros e a reconciliar a relação, desencadeando assim um ciclo vicioso. Outras também temem as ameaças dos agressores e para defenderem seus filhos e outros membros da família, infelizmente permanecem caladas.

É importante ressaltar que existe algo em comum entre os agressores, comumente eles são pessoas que foram agredidas na infância ou cresceram em ambientes violentos. Uma criança que vivencia violência pode vir a ser um adulto violento. Ambientes agressivos estimulam pessoas a agressividades. Quando essas ocorrências acontecem é necessário procurar as autoridades do país imediatamente e reportar o ocorrido. Devemos confiar na policia e nas associações para sanar os danos causados a essas pessoas que sofrem esse tipo de abuso. O agressor também precisa de tratamentos e punições se necessário. Entretanto, a melhor maneira de prevenção ainda é desde a infância. Lembre-se, é melhor prevenir do que remediar.

 

 

 

 

 

 

Esse  artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova ANO XLIX ed: N.º 1096. 5 de outubro de 2019. pg : 3.

Invasão ou evasão de Portugal?

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É sabido que Portugal é constituído por emigrantes e imigrantes. Podemos observar nos tempos atuais o país está envolto de muitas diversidades. Cá no Norte não é diferente. Assim como a vizinha Espanha, houve um momento em que nosso território enfrentou um dos maiores índices de emigração, ou seja, muito mais pessoas a saírem do país do que a entrar.

No norte a emigração aconteceu em diversos momentos e por vários motivos. Um deles foi a falta de oportunidade laboral que levou a que muitos portugueses decidissem fazer a vida em França, Suíça, Bélgica, Brasil entre outras partes do mundo. Alguns também optaram por migrar para outras zonas e a maiorias dos migrantes ainda se encontram nas regiões litorâneas (Porto, Lisboa, Setúbal, Faro…)

Além da falta de emprego, a guerra com as colónias levaram muitos nortenhos a saírem da sua zona de conforto clandestinamente para evitar a guerrilha. O Estado-Novo tentou por vezes impedir essa evacuação, porém não obteve muito êxito. Esse período é considerado a fase em que Portugal enfrentou a maior evasão de pessoas desde as descobertas e conquistas das colónias. Consequentemente o país ficava cada vez mais com insuficiência de mão-de-obra ativa.

Já em 1980 o cenário mudou, Portugal estava em boas condições económicas e era um grande atrativo para quem queria trabalhar. Nessa fase sucedeu-se uma explosão de imigrantes que, assim como os portugueses, saíram de seus respectivos países em busca de melhores condições para melhorar suas vidas. Após o acordo com a União Europeia foi preciso mais mão-de- obra e em meio a toda essa movimentação económica, Portugal já se encontrava a  envelhecer.

Atualmente, somos considerados um dos países mais velhos do continente e o que possui menos imigrantes. Também estamos dentro das estatísticas em que os jovens mais emigram e com o índice de natalidade mais baixo. Estima-se que em 2030, Portugal seja o terceiro país mais velho da Europa.

Todo esse envelhecimento acarretou em medidas sociais urgentes, como o favorecimento e a flexibilidade para a imigração, facilitação para adquirir a nacionalidade portuguesa aos descentes e aos que nascem cá, bem como a regularização dos imigrantes em solos lusitanos que contribuem ativamente para a nossa economia e crescimento do país.

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Já não é uma grande novidade para ninguém que daqui uns anos vamos necessitar de uma mão- de-obra que não possuímos, que estamos a reformarmo-nos cada vez mais tarde e que precarização do trabalho e os trabalhos irregulares “o famoso trabalho negro”, estão a retardar cada dia mais a reforma dos portugueses.

As problemáticas que perduram é que precisamos de trabalhadores contribuintes e será que estamos preparados para receber esses imigrantes como nós ou nossos familiares foram recebidos em outros países? Recebemos pior ou melhor? Como vamos atrair e estimular nossos jovens a trabalhar e construir as nossas famílias por cá com salários tão inferiores ao dos outros países da Europa?  Esperamos que a voz da nossa experiência encontre medidas cabíveis para solucionar este litígio da evasão ou, por outras palavras, uma invasão de Portugal? Eis a questão.

 

Esse artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova. ANO XLIX NO XLIX. N.º 1095 .º 1094 . 20 de setembro de 2019 de setembro de 2019. Pg.