Feminicídio em Portugal, precisamos curar esse mal.

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Feminicídio é o nome que se refere a um crime associado ao gênero feminino, esse nome também é utilizado para designar os assassinatos de mulheres. A primeira pessoa a usar esse termo foi a feminista Diana E. H. Russell, que definiu a palavra como “a matança de mulheres por homens, porque elas são mulheres”.

Esses crimes podem ser caracterizados como crimes de gênero, porque normalmente eles acontecem com as mulheres, em situações de privacidade e por pessoas conhecidas. Frequentemente, eles são cometidos por seus ex e companheiros, pai, algum familiar ou um homem no qual foi estabelecida uma relação de poder. Em 2018, dados afirmaram que as armas mais utilizadas nesses delitos são armas brancas ou agressões físicas até a morte.

No contexto social, essas situações não ocorrem esporadicamente, é possível afirmar que na conjuntura socioeconómica ainda há a manutenção do sistema patriarcal e das desigualdades de gêneros. Em média, a faixa etária das mulheres vítimas dessa violência é de 36 a 50 anos.

Neste início do ano de 2019 foram escandalosos os dados criminais que envolveram feminicídio em Portugal. Esses números ultrapassavam países de dimensões muito maiores e considerados muito mais violentos. Entre as 87 mil mulheres mortas em 2017, 58% morreram vítimas dos vossos maridos, namorados ou familiar. Sendo ainda 20 mil na Ásia, 19 mil em África, 8 mil nas Américas (Norte e Sul) 3 mil na Europa e 300 na Oceania.

A maior parte das mortes de mulheres em Portugal ocorreu a seguir a uma violência doméstica. Sendo 92% dessas mulheres mortas por via de uma arma branca. E 42% são mães que deixaram em média  29 mil crianças órfãs. Outra estatística triste e muito preocupante para o país.

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Existem quatro distinções de feminicídio, uma delas é o feminicídio íntimo; cometido por parceiros sexuais (maridos, namorados ou amantes) de relações anteriores ou atuais, o não íntimo que se estabelece na convivência, de hierarquia, de amizade ou de empregador para empregado, o transfeminicídio que é impulsionado por ódio e transfobia. E, por fim, o feminicídio por conexão, que infelizmente ocorre porque a vitima tinha vinculo social com a mulher que  se relacionava com o assassino.

Ao todo já somam 24 mulheres vítimas de feminicídio em Portugal desde o início do ano, uma estatística muito alarmante se compararmos com o ano passado, onde houve meses que não tiveram ocorrências. Leria é a cidade com mais ocorrência este ano, com 6 casos registrados, depois Setúbal com 4 e Lisboa com 3. É importante lembrar que em grande parte dos casos foram realizadas as prisões preventivas dos agressores.

Esses crimes de gênero acontecem porque existem outros problemas muito mais densos do que se apresentam. Nunca conseguiremos combater efetivamente esses casos se não diminuirmos as desigualdades de direitos sociais entre homens e mulheres.

É preciso enfatizar a necessidade de desconstruir o sentimento de posse e dominação pela mulher que ainda está impregnado em boa parte dos homens, inclusive nos que cometem esses crimes. Uma sociedade moderna precisa colaborar para a redução das desigualdades de gênero. Para que esses números sejam reduzidos, é cogente diagnosticar como e por que eles surgem, e a partir desse diagnóstico, remediar.

Esse mesmo artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova ANO XLIX ed: N.º 1098. 5 de  novembro de 2019. pg : 4.

O Santo Graal está em Portugal

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Apesar de ser uma expressão que se popularizou na era Medieval o “ Santo Graal” existe desde os tempos dos Celtas. Eles acreditavam que havia um objeto muito semelhante a um caldeirão, que trazia a vida a uma pessoa caso ela fosse posta dentro dele. A primeira menção desse artefato na Idade Média apareceu em um poema do Rei Arthur, onde os seus cavaleiros estavam à procura de um objeto muito valioso que segundo eles, proporcionava novos sabores aos alimentos.

Quando a lenda ficou popular na Idade Média, ela foi cristianizada e deu-se ao objeto uma nova forma: a de um cálice. Diz a lenda que este teria sido utilizado por Jesus Cristo na ultima ceia. Posteriormente na literatura, José de Arimateia teria colhido o sangue de Cristo na cruz com esse mesmo cálice. Atualmente a busca por este objeto leva a crer que nele estão guardados os genes de Cristo, que proporcionará saber a sua descendência, que até hoje é desconhecida.

Há outras versões desta lenda, uma que diz que Maria Madalena teria ficado com esse cálice e levado para a França, local onde ficou o resto de sua vida. Outra relata que o Santo Graal foi levado até à Catedral de Valência em Espanha, e também se supõe que esteja em Inglaterra, pois, segundo a literatura, foi José de Arimateia que teria ficado com ele assim que colheu o sangue na cruz.

Outra história afirma que o Santo Graal ficou sob a custódia da “Ordem dos Templários”. Esta ordem religiosa e militar era composta por nove cavaleiros e foi fundada em 1.118 na cidade de Jerusalém. Eles tinham como propósito proteger os peregrinos durante as cruzadas.

Segundo a lenda, esses cavaleiros de fé teriam ficado hospedados no Templo de Salomão durante um tempo, e nesse percurso tiveram acesso a diversos segredos e documentos do mundo e das religiões. Essas informações eram muito valiosas e fizeram com que os tornassem muito sábios e poderosos.

Algumas fontes da história de Portugal dizem que os Templários estiveram em nosso país e ficaram instalados no Convento de Cristo em Tomar, assim que eles evadiram da Terra Santa. A história descreve que São Bernardo de Claraval recolheu o objeto do Templo de Salomão e o trouxe para cá.

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The Damsel of the Sanct Grael por Dante Gabriel Rossetti

Durante o século XIV D. Dinis apoiou a fundação da Ordem de Cristo no Convento de Tomar. Esta por sua vez, auxiliou as descobertas dos continentes no século XV, auxiliou, apoiou e forneceu proteção à igreja. Ainda hoje, é notável a ligação entre o governo com essa ordem, uma vez que a bandeira de Portugal ainda carrega como brasão a cruz dos Templários.

Diversos estudiosos levam em consideração a hipótese de que o Santo Graal possa estar em Portugal, já que os Templários foram os guardiões dele e permaneceram cá durante vários anos. Atualmente a Igreja Católica não reconhece o Santo Graal como algo sagrado e sim apenas como algo criado na literatura medieval, que por sua vez é carregado de lendas, algumas curiosidades e múltiplos personagens reais e fictícias.

Embora a ficção se confunda com a realidade, é relevante salientar que o Santo Graal ainda é algo simbólico e intrigante para muitas pessoas. Não podemos descartar a hipótese de que esse objeto simbólico e para alguns “sagrado”, possa estar cá e quem sabe Portugal possa ser o Porto do Graal ?!

Esse mesmo artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova ANO XLIX ed: N.º 1097. 20 de outubro de 2019. pg : 3.

Violência doméstica em Portugal

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Muito se ouve falar sobre esse tema, mas poucas pessoas sabem do que realmente se trata. Segundo a justiça portuguesa a violência doméstica é tudo o que se encaixa em atos de sofrimentos físicos, sexuais, económicos ou psicológicos. Eles acontecem normalmente com pessoas que moram sob o mesmo teto, sendo estas; parentes de qualquer grau, parceiros ou ex- parceiros íntimos.

Esse tema veio à tona oficialmente a partir da década de 1980, quando foram denunciados através dos pediatras os maus tratos às crianças e adolescentes.  Por O.N.G’s, foram também denunciadas as violências contra as mulheres sofrida pelos homens, e posteriormente por civis a crueldade contra os idosos.

A violência causada nas crianças e nos adolescentes ocorre não somente quando é cometida uma agressão física ou psicológica. Também é considerado agressão quando eles vivenciam momentos violentos entre seus familiares, sejam eles; pai, mãe, tios, entre outros. O maior índice de violência física e mental é na maior parte dos casos ocasionada pelo familiar tutor da criança, sendo a mãe a mais violenta.

A principal legitimação para esse tipo de violência em diversos ensejos está associada à crença religiosa e ao conceito de que a famosa “palmada educa” ou à “tradição” “eu apanhei e fui bem educado” levando à consideração de que o castigo também é uma maneira de corrigir os filhos.  O que assusta nesses índices é que esses menores estão sujeitos a esses tipos de episódios quando os infratores estão sob o efeito de álcool ou outras substancias tóxicas.

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Já as violências padecidas pelos idosos demoraram muito mais para vir à tona em Portugal do que as outras, assim como as das crianças que também ocorrem no âmbito familiar e são difíceis de serem detectadas. Embora esses tipos de agressões sejam menos frequentes, em 2014 as pesquisas acusaram que quase metade das pessoas que agridem os idosos são os próprios cônjuges, indicando a percentagem de 49%. Os filhos homens 30% e as mulheres a somarem 8,9%. Outros parentes também participam desta estatística, os genros e as noras somam 3%, netos 2,3% e netas 0,2% e os demais familiares 5%.

Chega a ser triste ter acesso a esses números, pois, sabemos que eles podem ser muito maiores, tendo em vista que diversos idosos não têm coragem ou condições para denunciar, devido à sua dependência mediante ao seu familiar, ou vice e versa.  Normalmente o familiar que agride o idoso depende financeiramente dele ou da sua casa para morar.

Outro tipo de violência doméstica que tem chamado à atenção em Portugal é a VPI (violência entre parceiros íntimos). Esta acontece em relações heterossexuais e homossexuais, ou quando há algum tipo de intimidade entre os envolvidos.

Apesar dos dados alarmantes, ainda não é possível saber o numero exato das pessoas vitimas desse tipo de abuso. Muitas pessoas ainda ignoram esse tipo de violência e as consequências que ela acarreta. O que pode se afirmar com precisão é que as mulheres estão mais sujeitas a sofrerem as agressões de seus parceiros, logo, esse tipo de agressão chamou atenção para a disparidade da igualdade de género.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vitima (APAV) afirmou em 2016 que mais de metade das vitimas de VPI são provocadas por ex-parceiros e parceiros das mulheres. Um estudo da Universidade do Minho comprovou que apenas 10% dos homens e 23% das mulheres agredidas denunciam os casos, e que pouquíssimas pessoas procuram a ajuda das associações ou da Policia.

Os homens são os que menos denunciam a violência doméstica, por não acreditarem que as autoridades possam ser úteis. Já as mulheres acham que o descaso a estes casos são apavorantes e que não há punição alguma para o agressor. Algumas mulheres por causa da crença e da religiosidade, acabam por perdoar seus parceiros e a reconciliar a relação, desencadeando assim um ciclo vicioso. Outras também temem as ameaças dos agressores e para defenderem seus filhos e outros membros da família, infelizmente permanecem caladas.

É importante ressaltar que existe algo em comum entre os agressores, comumente eles são pessoas que foram agredidas na infância ou cresceram em ambientes violentos. Uma criança que vivencia violência pode vir a ser um adulto violento. Ambientes agressivos estimulam pessoas a agressividades. Quando essas ocorrências acontecem é necessário procurar as autoridades do país imediatamente e reportar o ocorrido. Devemos confiar na policia e nas associações para sanar os danos causados a essas pessoas que sofrem esse tipo de abuso. O agressor também precisa de tratamentos e punições se necessário. Entretanto, a melhor maneira de prevenção ainda é desde a infância. Lembre-se, é melhor prevenir do que remediar.

 

 

 

 

 

 

Esse mesmo artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova ANO XLIX ed: N.º 1096. 5 de outubro de 2019. pg : 3.

Invasão ou evasão de Portugal?

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É sabido que Portugal é constituído por emigrantes e imigrantes. Podemos observar nos tempos atuais o país está envolto de muitas diversidades. Cá no Norte não é diferente. Assim como a vizinha Espanha, houve um momento em que nosso território enfrentou um dos maiores índices de emigração, ou seja, muito mais pessoas a saírem do país do que a entrar.

No norte a emigração aconteceu em diversos momentos e por vários motivos. Um deles foi a falta de oportunidade laboral que levou a que muitos portugueses decidissem fazer a vida em França, Suíça, Bélgica, Brasil entre outras partes do mundo. Alguns também optaram por migrar para outras zonas e a maiorias dos migrantes ainda se encontram nas regiões litorâneas (Porto, Lisboa, Setúbal, Faro…)

Além da falta de emprego, a guerra com as colónias levaram muitos nortenhos a saírem da sua zona de conforto clandestinamente para evitar a guerrilha. O Estado-Novo tentou por vezes impedir essa evacuação, porém não obteve muito êxito. Esse período é considerado a fase em que Portugal enfrentou a maior evasão de pessoas desde as descobertas e conquistas das colónias. Consequentemente o país ficava cada vez mais com insuficiência de mão-de-obra ativa.

Já em 1980 o cenário mudou, Portugal estava em boas condições económicas e era um grande atrativo para quem queria trabalhar. Nessa fase sucedeu-se uma explosão de imigrantes que, assim como os portugueses, saíram de seus respectivos países em busca de melhores condições para melhorar suas vidas. Após o acordo com a União Europeia foi preciso mais mão-de- obra e em meio a toda essa movimentação económica, Portugal já se encontrava a  envelhecer.

Atualmente, somos considerados um dos países mais velhos do continente e o que possui menos imigrantes. Também estamos dentro das estatísticas em que os jovens mais emigram e com o índice de natalidade mais baixo. Estima-se que em 2030, Portugal seja o terceiro país mais velho da Europa.

Todo esse envelhecimento acarretou em medidas sociais urgentes, como o favorecimento e a flexibilidade para a imigração, facilitação para adquirir a nacionalidade portuguesa aos descentes e aos que nascem cá, bem como a regularização dos imigrantes em solos lusitanos que contribuem ativamente para a nossa economia e crescimento do país.

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Já não é uma grande novidade para ninguém que daqui uns anos vamos necessitar de uma mão- de-obra que não possuímos, que estamos a reformarmo-nos cada vez mais tarde e que precarização do trabalho e os trabalhos irregulares “o famoso trabalho negro”, estão a retardar cada dia mais a reforma dos portugueses.

As problemáticas que perduram é que precisamos de trabalhadores contribuintes e será que estamos preparados para receber esses imigrantes como nós ou nossos familiares foram recebidos em outros países? Recebemos pior ou melhor? Como vamos atrair e estimular nossos jovens a trabalhar e construir as nossas famílias por cá com salários tão inferiores ao dos outros países da Europa?  Esperamos que a voz da nossa experiência encontre medidas cabíveis para solucionar este litígio da evasão ou, por outras palavras, uma invasão de Portugal? Eis a questão.

 

Esse mesmo artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova. ANO XLIX NO XLIX. N.º 1095 .º 1094 . 20 de setembro de 2019 de setembro de 2019. Pg.

 

 

A União Europeia

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O acordo da União Europeia surgiu no continente europeu na cidade de Bruxelas após a segunda guerra mundial. Teve o objetivo de estabelecer a paz e a harmonia entre os países, tendo em vista promover e ampliar as relações comerciais bem como a concretização da reconstrução dos mesmos, já que neste período eles estavam completamente devastados. Esses territórios formaram um dos maiores projetos de união, integração política e econômica do planeta.

No inicio apenas Bélgica, Holanda e Luxemburgo faziam parte do Mercado Comum Europeu (MCE). Após alguns anos depois do tratado de Maastricht em 1992 esses países expandiram a ideia com o intuito de formar uma União Europeia que englobasse muitos mais países.

Em 2009 com a aprovação do Tratado de Lisboa, outros países aderiram à União Europeia. Ao todo, contabilizam-se vinte e oito países. Estes concordaram com uma integração politica, acesso e circulação de pessoas que vivem ou passeiam nos territórios europeus, livre entrada e comercialização de mercadorias.

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Alguns países também aderiram a uma moeda única, o Euro, para facilitar a compra e venda de produtos e movimentar a economia em conjunto sem que fosse necessário calcular o cambio monetário a todo o instante.

O objetivo geral da União Europeia é colaborar com o desenvolvimento econômico, promover mais igualdade social e política para cada país e garantir a pacificação do continente.

Para assegurar a administração foi criado um parlamento, uma comissão, um conselho da união, Banco Central e um Tribunal de Justiça, que é formado por mais de 700 deputados variados e com um numero equivalente à proporção de cada país.

A comissão é responsável pela elaboração das leis e por colocar em prática as que já existem, além de fazer o controle dos gastos no geral. No conselho, os integrantes reúnem-se para discutir e votar as leis que acham mais apropriadas a todos, bem como os acordos internacionais (fora da U.E.)

O Banco Central Europeu fica localizado na Alemanha e tem a responsabilidade de assegurar que os preços e a economia permaneçam estáveis. O Tribunal de Justiça aplica e interpreta as leis. Também pode penalizar e anular as que forem contra os princípios da U.E.

A partir de 2010 a crise econômica mundial impulsionou os países da União Europeia a enfrentar as dificuldades juntos. A união bancária garantiu os seguros mais confiáveis e foi possível superar as dificuldades econômicas. Em 2012 a U.E. recebeu o Prêmio Nobel da Paz, no qual foram recordadas as dificuldades desses países no Pós – guerra e no êxito que juntos conseguiram superar em todas essas catástrofes.

Presentemente, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Áustria, Dinamarca, Eslovênia, Eslováquia, Espanha, Portugal, Finlândia, Estônia, França, Holanda, Grécia, Irlanda, Hungria, Itália, Lituânia, Letônia, Polônia, Malta, Republica Checa, Suécia, Romênia e Reino Unido Fazem parte dessa grandiosa e conveniente união.

A arte rupestre em Vila Nova de Foz Côa- Portugal

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A arte rupestre são representações artísticas feitas no período da pré-história normalmente realizadas em paredes, rochas, cavernas, etc. Essa arte se divide em dois tipos: a pintura rupestre e a gravura rupestre. A diferença é que a pintura era feita com pigmentos através de cores (normalmente vermelho) e as gravuras (que são mais antigas que as pinturas) eram feitas por via de riscos cunhados no local.

No geral essas figuras foram feitas pelo homem pré-histórico e elas representam animais, plantas e pessoas. Alguns sinais também são abstratos e difíceis de serem interpretados por nós, homens contemporâneos. Entretanto, é suposto que nossos ancestrais retratassem seu cotidiano, caças, rituais, suas crenças e até mesmo sinalizações para se situarem melhor nos territórios em que viviam.

Atualmente existem várias teorias sobre o assunto e muitas controvérsias, mas é evidente que podemos por meio desses vestígios históricos tentar desvendar  como era a cultura e até mesmo parte da crença dos homens pré- históricos. Essas imagens também têm sido usadas para desvendar a fauna e a flora dessa época, bem como a sua evolução.

Costumeiramente essas gravuras e pinturas simulavam os rituais de caça e fertilidade. Os pigmentos da composição da tonalidade das pinturas ainda são desconhecidos, mas acredita-se que sejam compostos de sangue, ovos e gordura animal.

As técnicas para fazer as gravuras eram por meio da picotagem. Os traços feitos nas gravuras podem ser largos ou finos e há também gravuras que misturam os dois.  A maioria dessas demonstrações artísticas retratam em suma,  mais animais do que humanos.

Em 1994 foi encontrado no norte de Portugal, mais exatamente em Vila Nova de Foz Côa, o maior sitio de arte rupestre do período paleolítico ao ar livre até à presente data. Estima-se que as gravuras foram feitas aproximadamente em 22 000- 10.000 a.c. Esse sitio também foi considerado o local com  os registros de atividades humanas mais antigo do mundo. A partir de agosto de 1996 o parque arqueológico do Vale do Côa passou a disponibilizar visitas ao local e ainda segue sendo estudado.

Em 2010 a UNESCO incluiu o sitio de arte rupestre do Côa a Siega Verde, que o abrange em um núcleo transfronteiriço entre Portugal e Espanha. Em 2018 a arte do Vale do Côa que engloba o Museu e o Parque Arqueológico do Vale do Côa, passou a fazer parte do itinerário cultural do conselho da Europa.

Devido à arte rupestre expressar cenas do cotidiano, sentimentos, magia, crença e valores, é equiparada à arte contemporânea.  Em diversos ensejos, algumas pessoas tendem a substituir o nome arte rupestre por registros, o que pode nos parecer um tanto quanto confuso por causa do nome, entretanto, isso não significa uma desqualificação da obra, muito pelo contrário, a presença constante do testemunho das culturas do homem pré-histórico continua a despertar muitas curiosidades no homem atual e segue em estudo por diversas áreas do conhecimento.

Referências:

 

Disponível em:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_rupestre    15.04.2019.

Disponível em:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Vila_Nova_de_Foz_C%C3%B4a  15.04.2019.

 

 

Político Esfaqueado ou é morto ou é Eleito. Judite Sousa.

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Judite conta como foi a escolha da TVI para que ela participasse da cobertura das eleições presidenciais brasileiras de 2018. Ela realça o comício que ocorreu cinco dias antes do primeiro turno na Lapa na cidade do Rio de Janeiro, onde estavam presentes artistas reconhecidos como Chico Buarque, Caetano Veloso e Mano Brown.

Esses estavam a favor de Fernando Haddad, que representava o Partido dos Trabalhadores (PT), cuja imagem estava totalmente manchada pelos escândalos de corrupção devido as investigações da Lava Jato conduzidas pelo Juiz Sergio Mouro, que levou o ex-presidente Lula a prisão e condenado a cumprir 12 anos.

O favoritismo apontava para Jair Messias Bolsonaro do PSL, Partido Social Liberal, que defendia valores nacionalistas, da família e de ideais voltados  à extrema direita.

Judite relata em uma análise simplista que o país estava dividido entre a continuidade e a mudança. Havia muitas dúvidas sobre qual caminho seguir. Acontecia no Brasil fato semelhante ao vivenciado recentemente na França, onde Macron teria ganhado no primeiro turno contra Marine Le Pen (candidata de extrema direita), mas ela (assim como Haddad) também poderia reverter o jogo ao seu favor a qualquer instante.

O que a jornalista portuguesa não imaginava era que o candidato de extrema direita não faria campanha eleitoral, foi então que se sentiu confrontada com uma situação muito desafiante e inédita. Jair Bolsonaro sofreu um atentado e foi esfaqueado no dia 6 de setembro de 2018, durante uma passeata eleitoral, esse fato mudou totalmente a estratégia de sua campanha e influenciou totalmente os resultados.

Como o candidato não oferecia entrevistas mesmo após ter alta médica, ela acompanhava os vídeos postados por ele via Facebook, e pôde constatar que o discurso era voltado à insegurança associada à criminalidade e combate a corrupção.

Em meio ao ocorrido surgiu o questionamento: se não tivesse existido a facada Bolsonaro teria sido presidente? Pode ser que sim. A autora do livro lembra que sucedeu um vitimismo político em Portugal no ano 1986, Mario Soares foi esbofeteado por um grupo de trabalhadores e em seguida ganhou as eleições também no segundo turno.

O que mais lhe chamou a atenção foi à forma de fazer campanha política através das redes sociais. Aproveitando que foi constatado que as fake News atuam no córtex cerebral onde estão alojadas as emoções, foram então construídas todas as informações de campanha eleitoral, recorrendo aos sentimentos, espiritualidade e ideologias conservadoras.

Assim como Donald Trump, Jair não gosta de responder perguntas que o confronte, por isso não compareceu a nenhum debate ou entrevista televisiva, exceto a TV Record (canal evangélico).

A partir dessas vivências, Judite questionou se a influência da televisão poderia ter acabado nos desfechos eleitorais.

Bolsonaro tornou-se o “ politico invisível”  o nepotismo brasileiro financiou uma campanha qualificada de fake News que custou cerca de 3 milhões de dólares, seu maior meio de comunicação foi o facebook, onde era efetuado gravações de vídeos diariamente na casa do seu amigo e empresário Paulo Marinho  durante todo período eleitoral. Os filhos assumiram sua posição, amigos e empresários investiram no WhatsApp e o candidato postava os vídeos.

Foi notório que o sumiço do candidato era uma estratégia, pois, não aparecendo nem debatendo não teria que explicar seu programa político, justificar suas posições e afirmações polémicas.

Quatro dias antes do segundo turno o Tribunal Superior Eleitoral através de uma noticia publicada pelo jornal Folha de São Paulo denunciou que através de empresários ligados a Bolsonaro foram difundidas uma espessa quantidade de mensagens via WhatsApp a favor do candidato. Entretanto, “o homem invisível” continuava com a mesma posição, os vídeos apareciam no facebook, mas não havia informação alguma sobre esse caso.

Jair Bolsonaro estava à frente de uma eleição marcada pelo novo fenômeno de comunicação: fake News. Elas tomaram conta do discurso político como uma maneira de se alcançar o poder a todo custo, descredibilizando a imagem do adversário e conduzindo a opinião pública a acreditar no quem convém, esse é o maior meio de persuasão da atualidade e por ventura sem escrúpulos.

As comparações entre Trump e Bolsonaro vão além de ser considerado um perigo para as democracias atuais. Donald Trump foi eleito através do discurso voltado aos desfavorecidos pela globalização. Chegou a afirmar que os estadunidenses não usufruíram da riqueza e os empregos precisavam reaparecer.

Jair é o candidato da burguesia e das massas de renda baixa, alcançou-as por meio de preleções sobre combate a corrupção e violência. Seu Ministro Paulo Guedes prometeu práticas neoliberais e programas de privatizações. A elevação do juiz Sérgio Mouro a ministro da justiça soou uma escolha muito mal vista na Europa, classificada como uma recompensa pela prisão de Lula da Silva.

Bolsonaro gera desconfiança criada através declarações que revela pouca proximidade aos valores democráticos e contestações dos direitos das minorias. Judite expressa que estamos em meio a uma revolução comunicacional e política.

Após ganhar a eleição o “Presidente invisível” deu várias entrevistas, mas as redes sociais foram o meio que mais atraiu os brasileiros. Frases curtas com imenso impacto emocional conquistaram eleitores através de WhatsApp, Twitter e Facebook . Fake News levaram o politico esfaqueado a ser eleito, não morto. Fenômeno Inédito que descontrói a democracia e a História contemporânea.

 

 

Referências:

Titulo original: Político esfaqueado ou é morto ou é eleito. Judite Sousa e Oficina do livro – Sociedade Editorial, Ltda. 1 Edição: Janeiro 2019.

Concepções de didática nas diferentes abordagens de ensino

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Didática é a palavra que se refere à forma de abordagem no ensino, elas variam de extensões técnicas cognitivas, emocionais, políticas, sociais e  culturais. Essas perspectivas levam a refletir de que maneira transmitir os conteúdos usando metodologias que possam alcançar o maior número de educando para atingir o objetivo da proposta elaborada

A abordagem tradicional acredita que a educação é como um produto e os educadores são os personagens centrais donos da sabedoria. Os educandos estão hábeis a receber os conhecimentos fornecidos de maneira passiva. Todos os alunos precisam aprender de forma continua e linear e o professor avaliar.

A comportamentalista aborda o conhecimento como algo a ser descoberto pelo educando, assim como na abordagem tradicionalista a educação é vista como um produto. Esses comportamentos constituíram a base dos Behaviaristas que foram denominados positivistas e defendiam o conhecimento como resultado das experiências. Nessa perspectiva o objetivo primordial é transmitir conduta ética e práticas sociais (Skinner Apud Mizukami 1986) Os conteúdos são ensinados em pequenas partes para que o aluno aprenda de forma sucessiva, questionários são dados para que possam responder o que lhe foi ensinado como tarefa.

Na metodologia humanista o foco do ensino é no desenvolvimento intelectual e emocional, para que sejam capazes de construir, organizar-se e atuar como cidadãos ativos na sociedade. O professor tem o papel de mediador na aprendizagem e não apensas o transmissor. A forma de avaliar é padronizada, porém, não é limitada somente a métodos de avaliações tradicionais.

Abordagem cognitivista explica cientificamente a forma de avaliar e os fatores extremos dos alunos (MIZUKAMI,1986,P.59) O principal defensor dessa abordagem é  Jean Piaget, a perspectiva de  desenvolvimento humano é  seguido por fases que se relacionam e terminam (sensório-motor, pré-operatório, concreto e o operário formal) O objetivo desta abordagem é que o educando aprenda por conta própria e descubra a construção do conhecimento através de suas experiências motoras , verbais e mentais. A avaliação deve ocorrer de maneira qualitativa, levando em conta a assimilação e situações variadas.

Já a abordagem sociocultural, envolve aspectos culturais, sócio-político e reflexões. O autor brasileiro Paulo Freire é o maior defensor desse método, onde a educação é responsável pela autonomia do pensar e do senso critico. Excede a ideia do opressor e oprimido, eleva o educando a problematizar e estabelece um diálogo que desconsidera a educação bancária que o reduz a um deposito de informações. Assim o mesmo torna-se capaz de discernir o mais viável para si e para a sociedade no geral. Os conteúdos são constantemente sincronizados com o social e cultural. A avaliação é mutua, dinâmica e constante entre o educador e o educando, abrange todos os métodos e não se restringi apenas a uma metodologia pedagógica.

 

Referências:

LIBÂNEO,J.C. Avaliação escolar, J.C Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: Epu, 1986.

 

A fotografia na História

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No final do século XIX a fotografia surgiu atribuída à elite. Colaborou com a arte quando passou a fornecer acesso a imagens a quem não tinha vínculos com o meio artístico. Desde então, surgiram ateliês fotográficos onde destacavam variadas situações de diferentes povos, culturas e condições sociais.

A população utilizava a fotografia para registrar somente momentos que julgavam extremamente importantes, os retratos demoravam muito para serem confeccionados e as pessoas permaneciam imóveis até que eles ficassem prontos.

A fotografia auxiliou na ciência e medicina na identificação de plantas e corpos. Colaborou também conservação de ambientes e paisagens. Com o passar do tempo a fotografia tornou-se útil para o controle populacional, uma vez que coopera para identificar as pessoas e contribui para investigações em  diversas áreas.

Na história, a fotografia sempre foi uma fonte secundária, servindo como um complemento de constatação dos acontecimentos, ou seja, acompanhado de uma produção de texto ou explicação da imagem para que o fato seja investigado e esclarecido.

Segundo Taunay quando incluímos uma fonte visual na pesquisa histórica ela se torna insubstituível. Para os historiadores esse tipo que fonte teve uma consideração maior no século XX, onde sua principal estratégia foi acionar o sentimento de nacionalidade, por meio de interesses políticos.

Hercules Florence, um francês radicado na cidade de Campinas – São Paulo inventou o negativo, assim foi possível revelar as fotos tiradas nas máquinas de maneira mais prática. Sua obra foi reconhecida em 1976 e o processo fotográfico passou a ser mais fácil e acessível.

A partir da década de 1980 a fotografia se popularizou e seu consumo ficou mais dinâmico, sua serventia  tornar-se diversificada, tanto para guardar uma recordação de um momento familiar, registrar um evento, uma noticia ou alguma tragédia.

Nos anos 2000 a digitalização e o mundo virtual facilitaram os processos de produção e armazenamento das mesmas. Com a digitalização é possível encontrar fotografias em sites, redes sociais ou guardadas em qualquer espaço digital instantaneamente.

Até o presente momento esta é a era mais fotografada da história, muita informação é transmitida através de uma imagem, e  junto com essa revolução tecnológica ficou fácil alteração das fotos por meio de cortes e recursos de edições, logo, os acontecimentos podem se tornar altamente tendenciosos.

Enquanto historiador é sempre necessário observá-las como uma fonte secundária e verificar suas procedências, para que os fatos não sejam manipulados já que, “uma imagem vale mais que mil palavras”.

 

 

Referências:

 

Disponível em:< PINSKY, C. B.; LUCA, T. R. (Orgs.). O historiador e suas fontes. Disponível em: http://claretiano.bv3.digitalpages.com.br/users/publications/9788572444514.

 

Disponível em:< https://pt.wikipedia.org/wiki/Fotografia#Usos_da_fotografia >. Acesso em: 2018. Dez. 2018.

 

 

 

 

 

Governos Populistas

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Os governos populistas se caracterizam pela  presença de um líder carismático que consegue conquistar a confiança das massas e do senso comum através de uma linguagem simples e utilização de  propagandas contínuas nos meios de comunicação.

Os Lideres populistas vendem a ideia de que são capacitados para resolverem quaisquer  problemas de uma nação deslegitimando as instituições democráticas que governavam antes, normalmente usando discursos extremistas ou autoritários.

Até o final de 1970 esse tipo de comportamento político era encarado como algo pejorativo em diferentes correntes ideológicas e políticas, tanto da esquerda quanto da direita, e foi diversas vezes usado como desqualificação do adversário.

Normalmente o populismo visa defender as classes trabalhadoras, entretanto ele não é uma corrente política e ideológica exclusiva da esquerda. Embora tenha se destacado no século XIX na Rússia por meio da reforma agrária, muitos políticos populistas não possuem ideologias de esquerda.

O presidente Getúlio Vargas e Lula da Silva são exemplos de presidentes populistas de esquerda no Brasil, Já Jânio Quadros e Jair Bolsonaro se enquadram no populismo de direita.

Na América do Norte temos o exemplo em 2016 da campanha eleitoral altamente populista e direitista de Donald Trumb, onde o principal discurso era “nós” (Trump coligado ao povo) e “eles” (restante dos partidos políticos, vistos todos como corruptos).

No geral é depositado grande esperança nesses políticos com a falsa ideia de que eles são os heróis da nação, já que os mesmos aproveitam de momentos de instabilidade política, financeiras e sociais para se promoverem. Por fim, serão lembrados por fazerem ou não coisas boas.

 

Referências:

Disponível em:< https://www.significados.com.br/populismo / >. Acesso em: 2018. set. 2018.

Disponível em:<  https://pt.wikipedia.org/wiki/Populismo >. Acesso em: 2018. set. 2018.