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É sabido que Portugal é constituído por emigrantes e imigrantes. Podemos observar nos tempos atuais o país está envolto de muitas diversidades. Cá no Norte não é diferente. Assim como a vizinha Espanha, houve um momento em que nosso território enfrentou um dos maiores índices de emigração, ou seja, muito mais pessoas a saírem do país do que a entrar.

No norte a emigração aconteceu em diversos momentos e por vários motivos. Um deles foi a falta de oportunidade laboral que levou a que muitos portugueses decidissem fazer a vida em França, Suíça, Bélgica, Brasil entre outras partes do mundo. Alguns também optaram por migrar para outras zonas e a maiorias dos migrantes ainda se encontram nas regiões litorâneas (Porto, Lisboa, Setúbal, Faro…)

Além da falta de emprego, a guerra com as colónias levaram muitos nortenhos a saírem da sua zona de conforto clandestinamente para evitar a guerrilha. O Estado-Novo tentou por vezes impedir essa evacuação, porém não obteve muito êxito. Esse período é considerado a fase em que Portugal enfrentou a maior evasão de pessoas desde as descobertas e conquistas das colónias. Consequentemente o país ficava cada vez mais com insuficiência de mão-de-obra ativa.

Já em 1980 o cenário mudou, Portugal estava em boas condições económicas e era um grande atrativo para quem queria trabalhar. Nessa fase sucedeu-se uma explosão de imigrantes que, assim como os portugueses, saíram de seus respectivos países em busca de melhores condições para melhorar suas vidas. Após o acordo com a União Europeia foi preciso mais mão-de- obra e em meio a toda essa movimentação económica, Portugal já se encontrava a  envelhecer.

Atualmente, somos considerados um dos países mais velhos do continente e o que possui menos imigrantes. Também estamos dentro das estatísticas em que os jovens mais emigram e com o índice de natalidade mais baixo. Estima-se que em 2030, Portugal seja o terceiro país mais velho da Europa.

Todo esse envelhecimento acarretou em medidas sociais urgentes, como o favorecimento e a flexibilidade para a imigração, facilitação para adquirir a nacionalidade portuguesa aos descentes e aos que nascem cá, bem como a regularização dos imigrantes em solos lusitanos que contribuem ativamente para a nossa economia e crescimento do país.

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Já não é uma grande novidade para ninguém que daqui uns anos vamos necessitar de uma mão- de-obra que não possuímos, que estamos a reformarmo-nos cada vez mais tarde e que precarização do trabalho e os trabalhos irregulares “o famoso trabalho negro”, estão a retardar cada dia mais a reforma dos portugueses.

As problemáticas que perduram é que precisamos de trabalhadores contribuintes e será que estamos preparados para receber esses imigrantes como nós ou nossos familiares foram recebidos em outros países? Recebemos pior ou melhor? Como vamos atrair e estimular nossos jovens a trabalhar e construir as nossas famílias por cá com salários tão inferiores ao dos outros países da Europa?  Esperamos que a voz da nossa experiência encontre medidas cabíveis para solucionar este litígio da evasão ou, por outras palavras, uma invasão de Portugal? Eis a questão.

 

Esse artigo encontra-se publicado pela mesma autora no Jornal Cerveira Nova. ANO XLIX NO XLIX. N.º 1095 .º 1094 . 20 de setembro de 2019 de setembro de 2019. Pg.